Em meados de outubro, eu lembro que eu estava com a Nikki na cidade, e estávamos vindo juntas para a minha casa. Pegamos um caminho diferente, longe e deserto. O estômago contraído, os olhos preocupados em seguir a direção certa. Não tinhamos idéia de como fazer pra chegar em casa. Achamos um lugar, no meio do nada, e decidimos que iríamos fazer piquenique ali algum dia. Finalmente, vimos o campo de hockey, estávamos na vizinhança, logo em casa. Nos sentimos as aventureiras.
Hoje eu fiz esse mesmo caminho. Mas a sensação foi diferente, e eu estava sozinha. Lembrei desse dia e vi como as coisas mudaram. Vi como esse caminho não me assusta mais, já é familiar, vi como eu me sinto forte, como a insegurança daquele dia, ou melhor, a garota insegura daquele dia não existe mais, pelo menos não em mim.
Tive vontade de rir.
terça-feira, 31 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
INTERTÉDIO
Hoje eu estava na aula de artes e uma das minhas amigas de classe perguntou do que eu mais gostava na Holanda. Me desesperei ao perceber que eu não sabia a resposta. Me vi completamente perdida nessa história. Quer dizer, claro que eu me orgulho de ver até onde eu cheguei, das conquistas que eu fiz, dos amigos que eu pretendo levar e da família que eu aprendi a amar. Mas e aí? O que mais? Claro que Amsterdam é linda, aliás a Holanda é linda, mas eu vou avisando, mais do que coffeshops o que poderia resumir a Holanda em palavras, são vacas, chuva, e muitos quilometros de bicicleta. E isso não é nada bom. Eu queria ter pela Holanda o que os intercambistas tem quando vão para o Brasil, aquele encanto pela música, pelas festas, pelo clima. Mas talvez eu tenha um jeito holandes de gostar do meu intercambio aqui. Não precisa de colocar em palavras, ou em canções. Basta viver os momentos, e guarda-los no coração. Eu mentiria se disesse que trocaria o Brasil para viver aqui. Mas eu jamais poderia dizer que não valeu a pena. Com todas as lágrimas, todo o frio, todos os problemas que eu tive que aprender a resolver sozinha, também existiu o outro lado, o lado dos sonhos se realizando, e muito intensamente. Que eu não preciso falar, eu só preciso sentir.
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